A Lei e o Crime – 1×01

Publicado: 7 de janeiro de 2009 em A Lei e o Crime
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Exibido em 05.01.2009 na Record

Vingança é o tom dessa série. Três personagens com perdas familiares que somente alcançarão o sossego com a morte dos culpados. Dois homens e uma mulher. E, constituindo uma intrincada tragédia, um impulsiona o outro.

De início temos o Nando que mata o pai de Romero. Vingança número um: Romero contra Nando. Então Romero mata cinco parentes de Nando. Vingança número dois: Nando contra Romero. Como há um desequilíbrio de poder, Romero é policial e Nando não é nada, este encontra refúgio no morro. Para se firmar na comunidade Nando acaba criando o terceiro ponto de vingança. Nando mata o pai de Catarina. Vingança número três: Catarina contra Nando.

Embora Nando (Ângelo Paes Leme) tenha duas frentes contra, ele se tornou o chefe do morro da Aurora, então é o mais poderoso de todos. Catarina (Francisca Queiroz), que é milionária, troca de poder, deixando o econômico passando para o armado, ao se tornar uma delegada de polícia. Romero (Caio Junqueira) fica no mesmo status durante o episódio inteiro.

Tirando esses posicionamentos de personagens não há nada mais interessante no episódio de estréia da série. Os diálogos são fracos, por vezes repetitivos e não aprofundam as personalidades do trio de protagonistas. São nada mais que esteriótipos. Policial truculento, rica mimada e bom moço que cai na vida bandida.

O personagem mais promissor é o amigo de Nando na comunidade, o Valdo (Sílvio Guindane). Com deficiências nas pernas, usa muletas e apenas sobre as escadarias altas e longas do morro com alguma ajuda. Nele há uma ponta de manipulação aparente, aquela voz que faz com que uma idéia nasça na cabeça dos outros e que parecem terem nascidos delas.

Na falta de um herói clássico fica complicado para o expectador ter afinidade por algum dos dois homens maus. Claro, há a mulher idealista, que arregaça as mangas para enfrentar a criminalidade. Porém, numa surpresa ao final do episódio, no futuro ela estará em vias de ir ao tribunal responder a um processo de homicídio. Detalhe, está presa a uma cadeira de rodas. Quem ela terá matado e quem a atingiu deixando-a paralisada? São os ganchos da série, que provavelmente se resolverão apenas no último episódio.

A direção comete deslizes de enquadramento em simples cenas de diálogos, deixando personagens de costas ou abusando de closes. Já nas cenas de ação (leia-se tiroteios) há um controle maior e até convence, embora a câmera não tenha mobilidade.

Uma coisa tosca foi Catarina, lá no tribunal, acertar com um escritor o registro de sua história de luta contra o crime em um livro. Quem se levanta como escritor é o próprio roteirista dessa série. Uma narração da personagem soaria melhor.

Se nos próximos episódios não houver um enfoque mais acentuado nos personagens, deixando a exposição contextual de lado, ficará difícil a teledramaturgia se vingar da dependência para com as séries policiais estrangeiras, que entre tiros e investigações ilustram a humanidade dos personagens.

Nota desse episodio: **

Expectativa para o próximo episódio: *

Roteiro: Marcílio Moraes

Direção: Alexandre Avancini

Audiência: 17 pontos

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