Boardwalk Empire – 1×01 – Boardwalk Empire

Publicado: 22 de setembro de 2010 em Boardwalk Empire
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Exibido em 19.09.2010 na HBO

Que a criatividade nos roteiros dos projetos de televisão superam os do cinema, essencialmente no mercado americano, é algo já bem sabido. Que atores de prestígio do cinema participam cada vez mais (e sem culpa) nas séries, assim como alguns diretores renomados dirigem algum episódio aqui e ali, também não é nada de novo. Então o que há para se observar de diferente em Boardwalk Empire?

Essa nova produção é acima de tudo um exercício do olhar. A começar pelo protagonista até o período retratado na narrativa, a época conturbada da Lei Seca. No geral, e até por ironia, esse piloto-duplo está mais para uma obra cinematográfica que televisiva e acaba por nos mostrar que quanto mais escapamos de algo mais retornamos ao que não conseguimos esconder.

Criada e escrita pelo mesmo produtor de The Sopranos, Terence Winter, há um objetivo claro da HBO em ter um produto de época que mesmo assim não se distancie do sucesso anterior que tratava de mafiosos. Da mesma maneira temos um protagonista anti-herói e cheio de dúvidas. Claro, ele não tem uma terapeuta para desabafar como Tony Soprano, mas o seu olhar através de vitrines pelos estabelecimentos de um movimentado calçadão demonstra um vazio que não combina em nada com o seu perfil muito seguro, assim é o refinado personagem Enoch Thompson (Steve Buscemi).

Essa questão da expressividade do olhar é escancarada desde a abertura do piloto, onde vemos o Thompson observando numa praia as ondas do mar, que logo são tomadas por garrafas de bebidas boiando. Vai daí a pergunta: as garrafas então a devida de fato ou é a consciência perturbada de Nucky?

Martin Scorsese já realizou diversos filmes em que a câmera sutilmente nos convida a ver pequenos detalhes que nos dizem mais que bons diálogos, aliás, elemento sempre presente em suas obras e que aqui também encontra um parceiro a altura. Isso sem falar na montagem competente que cria situações exatas que aos poucos vão se desconstruindo e se tornam algo por vezes contrário ao inicial. Toda a seqüência final é um primor de como um roteiro se alinhava de maneira perfeita com personalidade da direção e o trabalho de um montador, no caso, Sidney Wolinsky.

Embora uma peça dramática, o roteiro de Boardwalk Empire flerta com o riso em muitos momentos, não tanto pela presença de um personagem cômico, o imigrante auxiliar de Nucky, mas pelos gracejos com a expectativa da entrada em vigor da Lei Seca feitos pela população em geral. Será uma pena não vermos algo parecido nos demais episódios.

Os espasmos de violências tão comum nesse gênero de histórias são mais que necessidades puramente visuais para a catarse dos personagens, e por tabela dos espectadores. Um relato dessas conseqüências trágicas não teriam impacto nenhum. É um ver para crer ou o que se quer. É como diz o outro personagem principal, o jovem Dimmy, que tem pelo menos o bom senso de admitir, e que também não se pode ser meio gangster. Enfim, ou se enxerga no total o que se é ou não é nada, assim como na tv ou no cinema.

Nota desse episódio: *****

Expectativa para o próximo episódio: *****

Roteiro: Terence Winter

Direção: Martin Scorsese

Audiência: 4,8 milhões

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