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Capitu – 1×05

Publicado: 18 de dezembro de 2008 em Capitu
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Exibido em 13.12.2008 na Globo

Tudo acaba, leitor. Nesse último episódio os fatos e pessoas se encerram em torno de Bento. Só não acaba o ciúme, que agora ganha sua maior confirmação: os olhos de Capitu que choram ao ver Escobar morto.

A seqüência do enterro do amigo é uma das mais interessantes de toda a série. Num fundo infinito branco se destaca apenas o caixão, o defunto e as testemunhas, todos de preto. O forte contraste do grande cenário branco e a concentração do preto numa posição central remetem ao olho.

Mas as cenas mais impactantes certamente são aqueles em que Ezequiel, o filho de Bento e Capitu, interage com o pai. Primeiro na cena externa, na qual Ezequiel tropeça e vai ao chão. Ao olhar para o filho vê apenas um caixão branco postado. A outra é a cena da xícara de café, que provoca uma igual angústia para quem a assiste.

Numa das maiores falas de Capitu em todo o texto original, Maria Fernanda Cândido defende muito bem a sua versão adulta. Deixando de lado todas as comparações com a versão jovem.

Nesse episódio temos talvez a maior das polêmicas que essa adaptação do livro de Machado de Assis possa ter feito. É clara a opção de colocar no ator que faz a versão adulta de Ezequiel os traços de Escobar. Alguns apressados podem reclamar que está série tomou partido da visão de Dom Casmurro, contudo, é bom lembrar que ainda, e sempre, estamos sob os domínios dos relatos do narrador. Vemos o que ele viu. E até pelo contrário, se o narrador dissesse que o filho é a cara do amigo e víssemos uma feição contrária, ai sim, estaria formalizada a defesa de Capitolina.

Num último capítulo entitulado “final”, que não existe no original mas faz uso do texto do verdadeiro último, Bento aparece trajado como um amálgama dos personagens: bigode de Bento, vestido de Capitu e cavanhaque de Escobar. De fato, os personagens são o próprio Casmurro, que se revela no que conta de sua família e os poucos amigos.

Capitu, a série, não trai Dom Casmurro, o livro. Se é óbvio o respeito no uso dos diálogos já existentes é mais clara a fidelidade de se mostrar apenas a visão de um atormentado narrador. Toda a encenação teatral ou “modernizada” é que dá o tom dúbio. Demonstrando como a mente oscila entre o passado e o futuro de modo onírico, portanto fadado a imprecisões.

Nota desse episódio: *****

Expectativa para o próximo episódio: *****

Roteiro: Euclydes Marinho & Daniel Piza, Luís Alberto de Abreu e Edna Palatnik

Direção: Luiz Fernando Carvalho


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